Saturday, June 30, 2007

Imparcialidade gamer

Gamers são figuras completamente imparciais quando o assunto referido é o que eles mais amam: games. Particularmente, sendo gamer assíduo desde os 5 anos de idade, posso falar detalhadamente de tudo e todos, sem nenhum tipo de restrição. E tudo que for dito aqui, acredite. Sou uma pessoa honesta antes de um gamer viciado, então não direi nada além da verdade.

Na capa da reviste EGM Brasil do mês de Junho de 2007, a reportagem da capa era sobre o assunto "Pirataria no Brasil". Dizia tudo sobre: como era armada, o que melhorava (logicamente era pouca coisa), o que piorava (logicamente MUITA coisa), e o que podemos fazer, ou deveríamos no caso, para combatê-la. Não foi impressa, ainda, a revista de Julho, mas (escrevam o que digo agora) com certeza terão cartas das pessoas das mais diferentes opiniões, xingando, elogiando ou tentando desmentí-los (os criadores da matéria).

Segundo eles, foram meses de esforço correndo atrás de todos os entrevistados, estatísticas e conteúdo para a matéria ficar completa e detalhada para entrar nas cabeças duras dos leitores (pelo menos os que tem). Geralmente, quando saem matérias assim, existem dois grupos de leitores: os que apoiam, mas no fundo eles sabem que não; e os que não apoiam, mas no fundo eles gostaram. Esses dois grupos ficaram evidentes, e são até hoje, quando a revista lançou um poster de uma mulher semi-nua jogando. A maioria falou que era um insulto, quase exorcizaram os redatores e organizadores da melhor revista de games do país. Outro grupo ficou encarregado de apenas falar: "Ah. Tava legal sim, gente. Continuem assim.".

Os que disseram que era um insulto, APOSTO QUE NÃO FALARAM SÉRIO! Cerca de 80% (chutando longe) dos leitores da revista são homens. Por mais que sejam casados, comprometidos, solteiros, crianças, adolescentes e seja lá o que eles são, NÃO EXISTE homem que não gosta de ver mulher. Pelo amor de meu futuros filhinhos! Como vocês podem reclamar de mulheres semi-nuas nas capas? Pode chegar a ser um insulto sim, e até concordo quando falam que "Se eu quisesse ver mulher pelada, comprava uma Playboy!", mas porra! Era um PRESENTE da revista, e se não gostaram, não estraguem a festa dos que gostaram!

Esse foi apenas UM exemplo da imparcialidade maldita. O exemplo certo do texto, que escreverei agora, é sobre a pirataria. Que atire a primeira pedra da minha fuça quem nunca comprou um game pirata. Estou aberto a pedradas na fuça a partir de agora. Todos nós, gamers, sabemos que no Brasil, o país [de merda] dos impostos, é impossível comprar um game original. O preço é alto, os lugares que vendem também pelo efeito capitalista do lucro, aumentam ainda mais o preço. A maneira de exercer o vício é dando um "jeitinho".

O "jeitinho" é o jogo pirata. Todos somos contra a pirataria, mas todos compramos dela. Eu, verdade seja dita, só compro jogo falso. Quando digo só, é SÓ jogo pirata. De PS2, Gravado, prensado, martelado, copiado, contrabandeado. De tudo quanto é jeito, no StandCenter, se estiver o jogo que eu quero no momento, lá, eu compro, sem pensar duas vezes. É foda querer combater uma coisa, se alimentando dela, né rapaziada? Pois é. Todos fazemos isso, e sabemos muito bem. Até nos deliciamos ao falar com alguém outro que "Já comprou tal jogo" antes de todo mundo. Ou baixa da internet (que também é uma forma de pirataria, para os que não sabem disso), ou compra daquele cara duvidoso na esquina.

A matéria da revista mostra muito bem tudo o que podemos fazer. Eu não farei nada, até que o país faça algo por mim, mas sacrifícios são necessários. Entendo que ajudando a pirataria, o mercado de games no país não vai pra frente, e isso pode refletir até no mercado consumidor real, que esse seria o do exterior, mas quando que o país vai parar de roubar? Quando o país vai me dar o dinheiro necessário, após tanto tempo de trabalho, pra no final do mês poder ir na loja bonitinha, pegar o jogo na caixinha, com manual e plastificado, e não ter que torrar todo o meu salário com UM mísero jogo? E isso se não for mais do que o salário.

Coisas assim forçam-nos a entrar de cabeça na pirataria. Porque eu compraria um jogo por 300, se eu posso comprar exatamente o mesmo por 15 reais, naquele ponto de ônibus que eu pego perto do centro? Parece que o país quer combater a pirataria, a violência, o contrabando, mas fazem de tudo para que peguemos o lado oposto. Forçam-nos exatamente para o contrário.

Porém, digo ainda que a situação esta melhorando. Aplausos para a Microsoft e, principalmente, para o tio Bill que teve a extrema coragem de começar a lançar os produtos da nova geração da Microsoft (lê-se Xbox 360 e derivados do mesmo), oficialmente no Brasil. Isso baixou, certeza, para um preço, NO MÍNIMO, justo os games do Xbox, e agora (com pelo menos o que eu escutei e li por aí) que eles devem lançar uma fábrica e a Xbox Live oficialmente no Brasil, provavelmente o preço ficará ainda mais justo. Pelo menos um motivo para os gamers se orgulharem. "Podemos jogar Halo sem gambiarras". Eu falaria isso orgulhosamente, também.

Agora só falta as outras mega-empresas de concorrência nos games (lê-se Sony e Nintendo) tomarem vergonha na cara, e terem a mesma jogada capitalista que todos têm pelo menos um pingo de noção, como a Microsoft teve. Construam fábricas e lançam produtos oficiais no Brasil também. O mercado eletrônico brasileiro está em ascendência, e deixarão inúmeras pessoas completamente felizes da vida e realizados. Mesmo tendo de enfrentar uma infinidade de leis buracráticas de um país de merda, digo isso, agora, por mim, mas acho que muitas outras pessoas também falarão/concordarão comigo: valerá a pena.

Quando a próxima revista chegar na banca, tenho certeza absoluta que pelo menos 2 cartas serão publicadas, uma falando bem, outra falando mal da matéria. A EGM foi completamente honesta Sobre a realidade que vivemos nesse buraco sem fundo, também conhecido como República Federativa do Brasil. E a realidade é essa. Nós não queremos estragar a indústria de games, mas somos forçados a tal. "Só compro games originais, porque é bonitinho e eu não compro jogo falso porque estraga o videogame" é mentira. Assim como "Ordem e Progresso" não existem, já citei em outro texto.

Parem de palhaçada, gamers. Como um, falo a verdade: eu, nada orgulhoso, alimento [e muito!] a indústria da pirataria. Sem uma conclusão melhor para o texto, vai ser essa mesmo. Tchau.